Autoria editorial: Vinícius Costa

A auditoria do fluxo de caixa na transação PGFN deve responder a uma questão objetiva: a empresa consegue cumprir a entrada e as parcelas sem deixar de pagar as obrigações necessárias à continuidade de sua operação? O valor nominal negociado é apenas um componente da decisão.

Na consulta realizada em 5 de setembro de 2026, a PGFN informa prazo de adesão às modalidades do Edital nº 6/2026 até 30 de setembro de 2026, às 19h, no horário de Brasília. A análise deve conferir a modalidade, os requisitos e as condições aplicáveis a cada contribuinte, sem pressupor desconto uniforme.

A entrada pode ser o maior obstáculo

Uma proposta aparentemente favorável pode concentrar desembolso em um período de recebimentos fracos. Por isso, o fluxo deve demonstrar a entrada por vencimento, juntamente com as demais saídas já comprometidas. Não compare apenas o valor da prestação futura com a média de faturamento.

Faturamento não é recebimento. O exame deve considerar prazos de clientes, concentração de devedores, estoques, despesas operacionais, tributos correntes, investimentos indispensáveis e serviço das outras dívidas. Recursos vinculados ou bloqueados não podem ser somados ao caixa disponível sem tratamento específico.

Exemplo de uma parcela que parece pequena

Em uma simulação hipotética, a empresa recebe R$ 200 mil por mês e desembolsa R$ 165 mil com sua operação. Outras dívidas consomem R$ 20 mil. Antes da transação, sobra R$ 15 mil. Acrescentar uma parcela de R$ 18 mil cria déficit de R$ 3 mil, embora a prestação represente apenas 9% dos recebimentos.

Se a entrada consumir a reserva que financiava sazonalidades, o problema pode aparecer antes da primeira parcela regular. A memória deve indicar o menor saldo projetado, os vencimentos críticos e as premissas que sustentam a suficiência de caixa.

O que a perícia contábil acrescenta

A perícia contábil pode reconstruir a evolução dos débitos e examinar divergências nos demonstrativos que embasam a negociação. Já o estudo de viabilidade financeira testa o cumprimento do acordo. Um trabalho não substitui o outro: dívida apurada corretamente ainda pode exigir condições incompatíveis com o caixa.

O perito contábil deve separar principal, acréscimos, pagamentos, depósitos e compensações quando pertinentes ao objeto. Valores já abatidos não podem ser deduzidos novamente. Também é preciso evitar que uma projeção de pagamento seja apresentada como saldo atual da dívida.

Compare as condições completas

Registre as datas de pagamento, os critérios de atualização, a entrada, o valor inicial das parcelas e as obrigações vinculadas ao acordo. A verificação jurídica deve alcançar hipóteses de rescisão, garantias e efeitos sobre discussões existentes.

Uma análise gerencial pode testar variação de recebimentos e de custos. Esses testes não são previsões garantidas: são formas de identificar a margem de segurança da decisão. A empresa deve saber qual redução de caixa torna o plano inviável e quais medidas operacionais dependeriam de execução real.

O papel do assistente técnico contábil

O assistente técnico contábil pode apoiar a leitura dos demonstrativos e preparar a memória necessária para discutir diferenças. Em uma negociação, a atuação deve ser descrita como apoio técnico contratado, sem sugerir que houve nomeação judicial.

Quando houver questão de Capag, o pedido de revisão deve seguir seu procedimento próprio. A Receita Federal esclarece que a apresentação do pedido não assegura a alteração da classificação. Não se deve planejar o caixa como se uma redução ainda não concedida já fosse certa.

Decisão documentada, não aposta em um desconto

A entrega recomendada reúne mapa dos débitos, quadro das condições, fluxo por vencimento e identificação dos pontos críticos. Ela deve permitir comparar a situação atual e os efeitos do acordo de forma rastreável.

Negociar bem é assumir um compromisso que a empresa possa executar. O estudo contábil e financeiro deve mostrar os limites da capacidade, antes que uma nova obrigação se transforme em mais um problema de liquidez.

Conte com a Costa Nova Associados

A Costa Nova Associados confere demonstrativos e estrutura estudos de capacidade financeira para apoiar a escolha e o cumprimento de negociações tributárias. Leia também o que o laudo técnico para revisão da Capag precisa demonstrar.

Fontes e documentos de referência

PGFN: editais vigentes de transação por adesão.
Receita Federal: possibilidade e limites da revisão de capacidade de pagamento.

Informações verificadas em 05/09/2026. Exemplos hipotéticos. Confirme as condições e o prazo do edital antes da adesão.

Sobre este conteúdo

Conteúdo técnico da Costa Nova Associados, republicado na CN Advisors. Datas e exemplos do material original foram preservados. O escopo e a responsabilidade por cada trabalho são definidos na contratação.

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